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sábado, 5 de fevereiro de 2011

A METODOLOGIA CIENTÍFICA DE ALLAN KARDEC



A observação criteriosa e sistemática dos fenômenos que são objeto de uma pesquisa científica deve ser acompanhada pela composição de uma teoria a seu respeito, mesmo que preliminar. A continuidade das investigações e análises se encarregará de respaldar ou então reformular as proposições teóricas inicialmente estabelecidas para sua compreensão. A razão, a lógica e a universalidade da proposição teórica encontram-se entre os elementos necessários à sua elaboração. Pois bem, não é difícil perceber que a obra de Kardec foi edificada segundo tais critérios. Mais ainda, antes dele não há nenhuma iniciativa similar aplicada na abordagem dos fenômenos psíquicos. Assim, coube a Kardec ser o grande pioneiro no estabelecimento de uma metodologia científica aplicada a esse campo. As passagens doravante apresentadas ilustram o pensamento científico do mestre quanto aos informes mediúnicos:

“Sem dúvida, as idéias falsas acabam caindo ante a experiência e a lógica inflexíveis” (In Revista Espírita, janeiro de 1862, pag 16)

“Em resumo, o grande critério do ensino dado pelos Espíritos é a lógica. Deus nos deu a capacidade de julgamento e a razão, para delas nos servirmos. Os bons Espíritos no-las recomendam, no que nos dão uma prova de sua superioridade.” (Revista Espírita, abril de 1860, pag 115)

“Em caso de divergência, o melhor critério é a conformidade dos ensinos por diferentes Espíritos e transmitidos por médiuns diferentes e estranhos uns aos outros. Quando o mesmo princípio for proclamado ou condenado pela maioria, é preciso nos dar conta da evidência. Se há um meio de chegar a verdade é, certamente, pela concordância, tanto quanto pela racionalidade das comunicações, ajudadas pelos meios que dispomos de constatar a superioridade ou a inferioridade dos Espíritos. Desde que a opinião deixa de ser individual para se tornar coletiva, adquire em grau maior de autenticidade, por que não pode considerar-se como resultado de uma influência pessoal ou local” (In Revista Espírita, janeiro de 1862, pag 16)

“O que acima de tudo contribuiu para o crédito da doutrina de “O Livro dos Espíritos” foi precisamente que sendo produto de um trabalho semelhante, tem um eco em toda a parte. Como dissemos, nem é obra de um Espírito único, que poderia ser sistemático, nem de um médium único, que poderia ser enganado: é, ao contrário, um ensino coletivo, dado por uma grande diversidade de Espíritos e de médiuns, e os princípios que encerra são confirmados mais ou menos por toda a parte. Dizemos mais ou menos, visto que, como acima ficou explicado, há Espíritos que procuram fazer prevaleçam as suas idéias pessoais. É pois útil submeter as idéias divergentes ao controle que propomos. (In Revista Espírita, janeiro de 1862, pag 16)

Kardec estabeleceu um processo criterioso de análise, inicialmente dos fenômenos e posteriormente das comunicações dos desencarnados pela via mediúnica, que obedece aos preceitos científicos. Além de usar a lógica e a racionalidade, crivos preliminares, se a complexidade do sistema apresentado requeria exames mais aprofundados, submetia-o também ao crivo da universalidade:

“Sem essa concordância, quem poderia estar seguro de ter a verdade? A razão, a lógica, o raciocínio, sem dúvida são os primeiros meios de controle a serem usados. Em muitos casos isto basta. Mas quando se trata de um princípio importante, da emissão de uma idéia nova, seria presunção crer-se infalível na apreciação das coisas. (...) O controle universal é uma garantia para a futura unidade da doutrina.” (In revista Espírita, março de 1864, pag 69)

“Essa universalidade do ensino dos Espíritos constitui a força do Espiritismo. (...) O primeiro controle é, sem dúvida, o da razão, à qual é preciso submeter, sem exceção, tudo quanto vem dos Espíritos. (...) A concordância o ensino dos Espíritos é, pois, o melhor controle; mas ainda é preciso que ocorra em certas condições. (...) A única séria garantia está na concordância que exista entre as revelações espontâneas, feitas por grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em diversas regiões.” (In Revista espírita, abril de 1864, pag 101 e 102)

Outras metodologias foram posteriormente criadas para uma abordagem ainda mais profunda da fenomenologia psíquica, conforme será exposto mais à frente, para atender a padrões científicos ainda mais rigorosos. Mas o primeiro passo foi dado por Kardec. Hoje se percebe claramente que os principais sistemas expostos pelos Espíritos a Kardec foram ratificados com as pesquisas que se seguiram, enquanto que a parte filosófica da Doutrina pode avançar tremendamente e atuar junto a humanidade transformando para melhor corações e mentes, supremo objetivo do Espiritismo.

“Toda a nossa ciência está baseada nos fatos. Pesquisamos com interesse todos aqueles que nos oferecem matéria de estudo ou confirmam princípios admitidos. Quero apenas dizer que não perdemos tempo em reproduzir os fatos que já conhecemos, do mesmo modo que um físico não se diverte em repetir incessantemente as experiências que nada de novo lhe ensinam. Dirigimos nossa investigação a tudo quanto possa esclarecer a nossa marcha, preferindo as comunicações inteligentes, fonte da filosofia espírita e cujo campo ilimitado é muito mais vasto que o das manifestações puramente materiais, de interesse apenas momentâneo.” (In Revista Espírita, julho de 1859, pag 192)

“Algumas pessoas disseram que fui muito precipitado nas teorias espíritas, que ainda não era tempo de estabelecê-las, pois as observações não estavam completas. (...) Duas coisas há que considerar no Espiritismo: a parte experimental e a filosófica ou teórica. (...) Mostrando que os fatos podem assentar-se no raciocínio, tereis contribuído para fazê-lo sair do caminho frívolo da curiosidade, afim de fazê-lo entrar na via séria da demonstração - única apta a satisfazer os homem que pensam e não se detêm na superfície. (...) O fim do Espiritismo é melhorar aqueles que o compreendem.” (in Revista Espírita, julho de 1859, pag 198)

Apesar de inaugurar a era científica junto à fenomenologia da alma e reconhecer o peso maior da filosofia espírita, Kardec jamais abdicou de um expressivo rigor no trato das comunicações, particularmente com os sistemas ideológicos muitas vezes apresentados pelos desencarnados.

"A razão é que não aceitamos nenhum fato com entusiasmo; examinamos friamente as coisas antes de aceitá-las, tendo-nos a experiência ensinado quanto devemos desconfiar de certas ilusões." (Revista Espírita, 1862, pag 29)

"Nunca seria demais repetir, que para bem conhecer uma coisa e dela fazer uma idéia isenta de ilusões, é mister apreciá-la sob todos os aspectos, do mesmo modo que o botânico só pode conhecer o reino vegetal observando desde o humilde criptógamo, oculto sob o musgo, até o carvalho que se eleva aos ares." (Revista Espírita, 1858, pag 200)

"Quando um fato se apresenta, não nos contentamos com uma única observação; queremos vê-lo sob todos os aspectos, sob todas as faces, e, antes de aceitar uma teoria, examinamos se ela explica todas as particularidades, se nenhum fato desconhecido virá contradizê-la; em suma, se resolve todas as questões: eis o preço da verdade." (Revista Espírita, 1864, pag 198)

"As comunicações dos Espíritos são opiniões pessoais que não devem ser aceitas cegamente. Em nenhuma circunstância deve o homem renunciar ao seu julgamento e livre-arbítrio. Seria dar prova de ignorância e de leviandade aceitar como verdades absolutas tudo que venha dos Espíritos. Eles dizem o que sabem; cabe a nós submeter-lhes os ensinos ao controle da lógica e da razão" (Revista Espírita, 1869, pag 101)

“Julgamos. Comparamos. Tiramos conseqüências de nossas observações. Seus erros mesmo são para nós ensinamentos. Não fazemos renúncia de nosso discernimento.” (Revista Espírita, 1859, pág 176)

“Observar, comparar e julgar, tal é a regra constante que tenho seguido. (...) Trabalho com os Espíritos como trabalho com homens; são para mim, do mais humilde ao mais graduado, instrumentos de meu aprendizado e, não, reveladores predestinados”. (Obras Póstumas)

"Melhor repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. Efetivamente, sobre essa teoria poderíeis edificar um sistema completo, que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento edificado sobre areia movediça, ao passo que, se rejeitardes hoje algumas verdades, porque não vos são demonstradas clara e logicamente, mais tarde um fato brutal ou uma demonstração irrefutável virá afirmar-vos a sua autenticidade.” (Erasto, in O Livro dos Médiuns, perg. 230)

“O grande critério do ensinamento dado pelos Espíritos Superiores é a lógica. Temos motivos para não aceitar levianamente todas as teorias dadas pelos Espíritos. Quando surge uma teoria nova, fechamo-nos no papel de observador; fazemos abstração de sua origem espírita, sem nos deixar ofuscar pelo brilho de nomes pomposos; examinamo-la com se emanasse de um simples mortal; procuramos ver se ela é racional, se dá conta de tudo, se resolve todas as dificuldades” (Revista Espírita, 1860, pag 108)

"O Espiritismo só deve caminhar com firmeza, e quando põe o pé em alguma parte deve estar seguro de aí encontrar terreno sólido. A vitória nem sempre está com o mais apressado; mais seguramente, está com aquele que sabe esperar o momento propício."(Revista Espírita, 1866, pag 195)

4 comentários:

marcelo audi disse...

Prezado Anderson. Parabens por este excelente artigo sobre o metodo cientifico de kardec, tema que me interessa muito. gostaria de entrar em contato. Sou espirita, dirigente do Centro Espirita da Consolacao, na Vila Mariana. Se possivel, me contate por e-mail em marcelo.audi.brazil@gmail.com.br

Obrigado e um abraco.

Marcelo Audi - 2013-11-20

marcelo audi disse...

Prezado Anderson. Parabens por este excelente artigo sobre o metodo cientifico de kardec, tema que me interessa muito. gostaria de entrar em contato. Sou espirita, dirigente do Centro Espirita da Consolacao, na Vila Mariana. Se possivel, me contate por e-mail em marcelo.audi.brazil@gmail.com.br

Obrigado e um abraco.

Marcelo Audi - 2013-11-20

Anderson disse...

Prezado Marcelo este texto não é de minha autoria. Achei-o na net. Infelizmente tentei ver onde foi e não consegui ainda, para identificar o autor do mesmo. Assim que conseguir posto aqui o nome.

Eden Lemos disse...

E aí Anderson, conseguiu identificar o autor? Mesmo assim quero parabenizá-lo de ter tido a sensibilidade de compreender a riqueza da compilação que o autor da postagem produziu.

Eden Lemos - edenlemos@gmail.com