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sábado, 3 de maio de 2014

ALÉM DO SONO




Calderaro*

De passagem por nosso templo, rogo vênia para ocupar-lhes a atenção com
alguns apontamentos ligeiros, em torno de nossas tarefas habituais.
Dia e noite, no tempo, simbolizam existência e morte na vida.
Não há morte libertadora sem existência edificante.
Não há noite proveitosa sem dia correto.
Vocês não ignoram que a atividade espiritual da alma encarnada estende-se
além do sono físico; no entanto, a invigilância e a irresponsabilidade, à
frente de nossos compromissos, geram em nosso prejuízo, quando na Terra, as
alucinações hipnogógicas*, toda vez que nos confiamos ao repouso.
É natural que o dia mal vivido exija a noite mal assimilada.
O espírito menos desperto para o serviço que lhe cabe, certamente
encontrará, quando desembaraçado da matéria densa, trabalho imperioso de
reparação a executar.
Por esse motivo, grande maioria de companheiros encarnados gasta as horas de
sono exclusivamente em esforço compulsório de reajuste.
Mas, se o aprendiz do bem atende à solução dos deveres que a vigília lhe
impõe, torna-se, como é justo, além do veículo físico, precioso auxiliar nas
realizações da Esfera Superior.
Convidamos, assim, a vocês, tanto quanto a outros amigos a quem nossas
palavras possam chegar, à tarefa preparatória do descanso noturno, através
do dia retamente aproveitado, a fim de que a noite constitua uma província
de reencontro das nossas almas, em valiosa conjugação de energias, não
somente a benefício de nossa experiência particular, mas também a favor dos
nossos irmãos que sofrem.
Muitas atividades podem ser desdobradas com a colaboração ativa de quantos
ainda se prendem ao instrumento carnal, principalmente na obra de socorro
aos enfermos que enxameiam por toda parte.
Vocês não desconhecem que quase todas as moléstias rotineiras são doenças da
idéia, centralizadas em coagulações de impulsos mentais, e somente idéias
renovadoras representam remédio decisivo.
Por ocasião do sono, é possível a ministração de amparo direto e indireto às
vítimas dos labirintos de culpa e das obsessões deploráveis, por intermédio
da transfusão de fluidos e de raios magnéticos, de emanações vitais e de
sugestões salvadoras que, na maior parte dos casos, somente os encarnados,
com a assistência da Vida Superior, podem doar a outros encarnados.
E benfeitores da Espiritualidade vivem a postos, aguardando os enfermeiros
de boa-vontade, samaritanos da caridade espontânea, que, superando inibições
e obstáculos, se transformem em cooperadores diligentes na extensão do bem.
Se vocês desejam partilhar semelhante concurso, dediquem alguns momentos à
oração, cada noite, antes do mergulho no refazimento corpóreo.
Contudo, não basta a prece formulada só por só.
É indispensável que a oração tenha bases de eficiência no dia bem
aproveitado, com abstenção da irritabilidade, esforço em prol da compreensão
fraterna, deveres irrepreensivelmente atendidos, bons pensamentos, respeito
ao santuário do corpo, solidariedade e entendimento para com todos os irmãos
do caminho, e, sobretudo, com a calma que não chegue a ociosidade, com a
diligência que não atinja a demasiada preocupação, com a bondade que não se
torne exagero afetivo e com a retidão que não seja aspereza contundente.
Em suma, não prescindimos do equilíbrio que converta a oração da noite numa
força de introdução à espiritualidade enobrecida, porque, através da
meditação e da prece, o homem começa a criar a consciência nova que o
habilita a atuar dignamente fora do corpo adormecido.
Consagrem-se à iniciação a que nos referimos e estaremos mais juntos.
É natural não venham a colher resultados, de imediato, nas faixas mnemônicas
da recordação, mas, pouco a pouco, nossos recursos associados crescerão,
oferecendo-nos mais alto sentido de integração com a vida verdadeira e
possibilitando-nos o avanço progressivo no rumo de mais amplas dimensões nos
domínios do Universo.
Aqui deixamos assinalada nossa lembrança que encerra igualmente um apelo ao
nosso trabalho mais intensivo na aplicação prática ao ideal que abraçamos,
porque a alma que se devota à reflexão e ao serviço, ao discernimento e ao
estudo, vence as inibições do sono fisiológico e, desde a Terra, vive por
antecipação na sublime imortalidade.

Calderaro
Instruções Psicofônicas - Francisco Cândido Xavier

(*) Trata-se do Instrutor Espiritual a que se reporta André Luiz, em seu
livro "No Mundo Maior". - Nota do organizador.
** Hipnogógicas ou hipnagógicas: adormecimento, sonolência antes do sono
verdadeiro. (Nota nossa).

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