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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

MEDO DE PERDER - CIÚME







O medo de perder é o maior obstáculo para o nosso crescimento. Sobretudo o medo de perder alguém que nós dizemos amar. Essa emoção é a principal responsável pelo nosso sofrimento vital. Pois temos medo de sermos rejeitados pela pessoa que dizemos amar. O medo de perder aparece sob várias formas.

Medo de sermos criticados, rejeitados, de não sermos importantes, ilustres, amados e medo da solidão. Isso tudo se resume numa só palavra: Ciúme.

Ciúme é o medo de não possuir alguém, de não ser dono de alguém. Na relação ciumenta colocamos nós e o outro como objeto, como se objeto e pessoa fossem a mesma coisa. No ciúme temos medo de algum dia sermos rejeitados, dispensáveis à outra pessoa. Esta emoção é sofrimento de apego, torna a relação confusa, sofrida. Isto já vem de nossa cultura quando dizem que o ciúme é a maior prova de amor. O que é justamente o oposto do amor. Na relação amorosa existe identidade: “eu sou independente de você”. Perde-se a identidade quando se diz: “eu sem você não valho nada, pra mim você é tudo”. O amor é solto, livre, vem do verdadeiro querer. Sem prisão de sentimentos, bem o contrário do ciúme, que amarra, prende, condiciona. A pessoa já não é ela mesma, mas ela é o que o outro quer que ela seja. Pra que também ela seja o que o outro quer. É um pacto de destruição mútua. Quando um usa o outro na garantia de não ficar sozinho, de não ser abandonada, passamos a vida inteira com medo de sermos hoje totalmente dispensáveis.

O homem é por definição dispensável, transitório e efêmero, aquilo que passa, isto é bastante real em todas as relações. Hoje somos substituíveis, o mundo sempre existiu sem nós, está existindo conosco e continuará a existir sem nós. Somos necessários aqui e agora. Mas seremos dispensáveis além. O medo da morte é o ciúme da vida, é a vontade falsa irreal de sermos permanentes, eternos e imutáveis, isso nos leva a crer que as coisas só têm valor, só valem a pena se forem eternas, só se tivermos garantia que sempre será assim como é. Mas como tudo é transitório e mutável pode se transformar. O medo de perder nos leva a um estado contínuo de sofrimento. 

As conseqüências do ciúme são bem claras: se eu tenho medo de não ser amado, de ser abandonado, de ser dispensável a alguém, em vez de eu fazer tudo cada vez melhor, vou gastar toda minha energia, minha vida, para provar que já sou melhor, que já sou o primeiro, o que é mentira e nos conduz ao delírio. A falsidade de nossos atos, nossas iniciativas, nossas considerações, é tudo para mostrar que somos bons, fortes, perfeitos, capazes. Tudo é o medo de perder. É a vontade de ganhar. O medo de perder é assim, ganhando ninguém vai nos tirar. Gastamos nossas energias para defender o que já possuímos, e para conservar o que já ganhamos. Só temos que perder. 

Com a vontade de ganhar por outro lado estamos sempre ativos procurando ganhar cada vez mais, ao invés de nos preocuparmos com possíveis perdas. O mais valioso para nós é a nossa vida, e esta nós já vamos perder, o resto é secundário. O medo de perder é justificativo, reativo, a pessoa fica sempre com o pé atrás e o outro no frente, sempre se prevenindo para não perder. A pessoa com vontade de ganhar é sempre ativa, sem medo de arriscar, sem medo de perder, sem a vivência antecipada do futuro, vive a beleza do momento, sabe que em tudo existe riscos e oportunidades. No medo da perda só vê os riscos. Na vontade de ganhar não significa ganhar de alguém, mas de si mesmo. A dar um passo em frente, estar sempre disposto a crescer um pouco mais, ninguém chega a seu limite máximo. Idade adulta não é o máximo de nossa vida, de nossa potência. Não existe pessoa madura, mas em amadurecimento. Quando paramos de crescer vem o sofrimento, e cada um sabe onde paralisou. Onde bloqueou a energia. 

Até hoje não vimos um relacionamento deteriorar sem a presença marcante do ciúme, querendo ser o controlador dos sentimentos e ações da pessoa que se diz amar. Um profundo desamor a si mesmo e ao outro também. E a dor da incerteza é a raiva de não ter a segurança absoluta no relacionamento, a insegurança frente ao futuro. A loucura está aí, passamos a vida inteira tentando conseguir segurança. Segurança não existe. Ser seguro não significa acabar com a insegurança, mas sim aceitá-la como inerente à natureza humana. Nós não curtimos o hoje, que é importante, nem nos relacionamentos com os amigos, nem com os filhos. Não temos tempo, estamos cuidando do seu futuro, da nossa segurança. 

O ciúme é a incapacidade de vivermos hoje a gratuidade da vida. Hoje é o primeiro dia do resto de nossa vida. Viver é deixar cada dia segundo seu próprio cuidado. O medo daquilo que pode acontecer tira a alegria de estar aqui e agora. O medo da morte tira a vontade de viver. Quando temos medo de perder alguém, é porque imaginamos que as pessoas são nossas. E não podemos perder o que não temos. Ninguém é de ninguém. Cada pessoa é única e exclusivamente dela mesma. Podemos perder tudo, bolsa, carteira, casaco, qualquer coisa, jamais uma pessoa. 

Medo de perder é a obsessão do primeiro lugar, é querer ser sempre o primeiro em todos os lugares, em casa, no emprego, com os amigos. O primeiro lugar é amarelante, deteriorante, pois quando alguém chega ao cume da montanha só lhe resta descer. O segundo lugar é verdejante, esperançoso ainda tem aonde ir, para onde crescer. A postura do segundo lugar nos leva ao crescimento contínuo por que você se sente em segundo lugar mesmo que estivesse ocupando socialmente o primeiro lugar, não em relação ao outro mas a você mesmo, ou seja ainda teremos por onde crescer e melhorar. 

Você sabe porque o mar é tão grande, tão imenso, tão poderoso? É porque teve a humildade de se colocar apenas a alguns centímetros abaixo de todos os rios do mundo, sabendo receber tornou-se grande. Se quisesse ser o primeiro, alguns centímetros acima de todos os rios, não seria o mar, seria uma ilha e toda sua água iria para os outros, e ele estaria isolado. É impossível vivermos satisfatoriamente se não aceitarmos a queda, a perda, a morte. Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer. Em outras palavras, se temos medo de cair, andar seria muito doloroso. Se temos medo da morte a vida é muito ruim. Se temos medo da perda, o ganho nos enche de preocupações. Esta é a figura do fracassado, dentro do sucesso. Pessoas quanto mais ganham, quanto mais melhoram na vida mais sofrem. Para a pessoa que tem medo de ficar pobre, quanto mais dinheiro tem, mais preocupada fica. Quanto mais sobe na escala social, mais desgraçada é a sua vida. Em compensação se você aprende a cair, a errar, a perder ninguém o controla mais. Pois o máximo que pode acontecer a você é cair, errar, perder, e isso você já sabe.

Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade, o ganho, a perda, o acerto, o erro, o triunfo, a queda, a vida e a morte.





FOnte: http://marcoaureliorocha5.blogspot.com.br/2009/04/medo-de-perder-ciume.html

Ciúme Excessivo





Ciúme Excessivo
Por: Maria Helena Brito Izzo
Psicóloga e terapeuta familiar. Fonte: Revista Família Cristã



Existem duas espécies de ciúme: o normal e o doentio. O normal revela carinho e cuidado, porque representa aquela pitadinha que faz com que as pessoas se sacudam um pouco, zelando pelo que é seu. É a busca da troca que deve haver entre aqueles que se amam. O doentio, como q próprio adjetivo diz, arrasa a pessoa. É um sentimento possessivo, agressivo, baseado na insegurança e no medo, e os que se deixam levar por ele destroem os outros e a si.

Há quem é muito ciumento, mas sabe se controlar. O ciúme doentio, porém, além de desequilibrar o sujeito,reflete também nos outros, que são controlados e importunados o tempo inteiro. Faz com que se criem e alimentem fantasias, impedindo que o objeto do ciúme, em geral a pessoa amada, progrida, mantendo sua individualidade.

Quem se deixa dominar por esse sentimento envenena a própria vida. Seu modo de agir está baseado numa concepção distorcida do eu interior ou num complexo de superioridade que de superior nada tem. Trata-se de um complexo de inferioridade camuflado, que leva a pessoa a sofrer demais e a fazer os outros sofrerem também e, o que é pior, correr grande risco de perder o ser amado, porque o massacra e anula. Tanto o agride que chega o momento em que este, cansado e revoltado, reage e se liberta desse jugo. Não agüenta a insegurança em que vive, pois nunca sabe qual será a reação e o posicionamento do outro.

O ciúme doentio denota que o indivíduo não confia em si, é inseguro mas, ao mesmo tempo, considera-se dono da verdade. Não se importa com os sentimentos dos outros, provando assim que possui um desequilíbrio, às vezes baseado na rejeição. Não sabe trabalhar consigo mesmo e, conseqüentemente, encontra problemas para lidar com os outros. Como não resolveu suas frustrações, em vez de consertar-se, projeta sobre os outros o que tem dentro de si, mas de forma odiosa. Dentro dessa análise, são perfeitamente explicáveis os crimes passionais, frutos da imaginação exacerbada levada às últimas conseqüências.

O maior agravante é que o ciumento doentio é tremendamente infeliz. Vive angustiado, criando traições que, na realidade, não existem. Busca a verdade de forma errada, porque a vê e sente sob o seu ângulo, quando a realidade é outra. Por isso, perturba todo mundo. Controla a vida do outro, castra-o, sufoca-o, desnorteia-o, refletindo o clima insuportável que reina em seu interior. Quem é ciumento não age assim apenas em casa, mas em todos os lugares, inclusive no trabalho. Continuamente vê coisas que não existem e, nesse estágio, demonstra não estar nada bem.

Às vezes, o ciumento tem consciência dessas limitações, mas não imagina que sejam destrutivas a ponto de prejudicar a si e aos outros. Por outro lado, não se acha um fraco. Considera-se esperto, convencido de que está controlando tudo, quando na realidade está castrando o desenvolvimento de quem julga amar. Tem a petulância de se denominar o dono da verdade, embora não passe de um fraco.

Uma das maneiras de a pessoa descobrir que está trilhando o caminho do ciúme doentio é tentar ver se nutre em si a desconfiança e se controla demais a vida de quem ama. Também pelo relacionamento existente é possível perceber se a vida é um tumulto geral: por um lado, as cobranças seguidas e indevidas; por outro, a revolta de quem se vê continuamente vigiado. Se chegou a esse ponto, é hora de procurar a ajuda de alguém para analisar os pontos positivos e negativos desse relacionamento e dar-lhe orientação adequada.

O retorno, através das reações dos que vivem ao seu lado, é o melhor termômetro para medir tal temperatura. Até um indivíduo de inteligência mediana, vendo tantas reações violentas, perceberá que as coisas não vão bem. É o momento certo para parar e refletir sobre o que não vai bem com ele e não jogar a culpa apenas nos ombros dos outros.

Em geral, os portadores do ciúme doentio estão sempre competindo. Mas às avessas. No fundo, têm medo de perder o que julgam possuir, porque não se valorizam o suficiente.

Quem busca a felicidade e percebe que está trilhando o caminho errado precisa assumir uma postura radical para mudar a rota. Procurar um especialista para detectar o problema nesses momentos é mais que necessário, para que o ciúme doentio não se transforme em insanidade.

Também um amigo qualificado pode oferecer a ajuda de que se necessita para se libertar de um comportamento tão prejudicial. Tratar-se com um psicólogo, porém, não significa que a pessoa não terá mais problemas. Ela apenas passará a enxergá-los melhor e a lidar com eles de forma mais correta.


Ciumes é desequilíbrio emocional



 

"Os ciumentos não precisam de causa para o ciúme: têm ciúme, nada mais. O ciúme é monstro que se gera em si mesmo e de si nasce" 
Willian Shakespeare, Otelo

 

O ciúme é a inquietação mental causada por suspeita ou receio de rivalidade nos relacionamentos humanos. É uma distorção, um exagero, um desequilíbrio do sentimento de zelo. 

Adentrando na intimidade deste sentimento, vamos descobrir que ele é "medo", medo de algum dia ser dispensável à pessoa com a qual se relaciona; é o medo de ser abandonado, rejeitado ou menosprezado; medo de não mais ser importante; medo de não ser mais amado, enfim, é, de certa forma, medo da solidão. 

O psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Ferreira Santos, revela que tal sentimento é totalmente voltado para si mesmo, egocentrado no indivíduo, e por esta afirmação podemos entender o porquê da frase do personagem "lago", de Shakespeare, dizendo que o ciúme não precisa de causas exteriores, que se gera em si mesmo. 

Suas causas interiores, segundo Joanna de Ângelis, Espírito, são encontradas principalmente na insegurança psicológica, na baixa auto-estima, no orgulho avassalador que não suporta rivalidades, e no egoísmo, que ainda nos faz ver aqueles que estão à nossa volta como posses. 

O ser inseguro transfere para o outro a causa desta insegurança, dizendo-se vítima, quando apenas é escravo de idéias absurdas, fantasias, ilusões, criadas em sua mente, que ateia "incêndios em ocorrências imaginárias". 

Agravado este sentir leva a psicoses, a problemas neuropsiquiátricos, como diversos tipos de disritmias cerebrais, sendo causador de agressões físicas e crimes passionais. 

Além disso, não podemos esquecer que sua existência é sempre uma porta aberta para a obsessão, uma oportunidade de sermos influenciados por aqueles que desejam nosso mal. 

O ciúme é um sinal de alerta mostrando que algo não vai bem, que algo precisa ser reparado, repensado. Sua erradicação de nossos viveres somente será realizada com a análise íntima constante, com o vigiar dos pensamentos, dos atos, lembrando sempre que "ninguém é de ninguém", que não possuímos as pessoas, e que o verdadeiro amor LIBERTA e CONFIA. 

O ciúme "insegurança" precisa ser substituído pela CONFIANÇA "certeza", que é sim uma real prova de amor. 

  

Fonte: Jornal Mundo Espírita – Março/2001