Ah quantas máscaras e submáscaras, Usamos nós no rosto de alma, e quando, Por jogo apenas, ela tira a máscara, Sabe que a última tirou enfim? De máscaras não sabe a vera máscara, E lá de dentro fica mascarada. Que consciência seja que se afirme. O aceite uso de afirmar-se a ensona. Como criança que ante o espelho teme, As nossas almas, crianças, distraídas, Julgam ver outras nas caretas vistas E um mundo inteiro na esquecida causa; E quando um pensamento desmascara, Desmascarar não vai desmascarado. FERNANDO PESSOA (1888-1935)
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